Muito do que é a Kantina Prestes hoje nasceu a quilômetros daqui, numa universidade em Moscou.
Durante os oito anos em que morei na Rússia, participei ativamente do grêmio estudantil da Universidade Russa da Amizade entre os Povos — uma instituição que, como o nome diz, recebia estudantes de todo o planeta. Eu dividia residência, cozinha e cotidiano com pessoas de países que eu mal conseguia localizar no mapa.
E era exatamente ali, no corredor da residência estudantil, observando o que cada um cozinhava, que temperos usava, que técnicas carregava da sua terra, que eu comecei a entender o que a comida realmente representa.


O festival que mudou tudo
No grêmio, organizávamos o festival culinário. E a proposta era simples e profunda ao mesmo tempo: não bastava trazer um prato. Era preciso explicar por que ele existia. Quando era preparado. O que ele celebrava. A história que ele carregava. Cada participação era uma janela aberta para uma cultura inteira.
Um prato não se serve sozinho. Ele vem acompanhado de contexto, memória e identidade.


Durante esses anos, chegamos a publicar dois livros de culinária reunindo essas histórias e receitas. Uma memória coletiva de muitos povos, construída dentro de uma universidade.
Da Rússia para Natal
Quando montei a Kantina, não precisei inventar uma proposta de experiência — ela já existia dentro de mim. A ideia veio diretamente do festival que ajudei a organizar em Moscou. É por isso que aqui cada prato tem uma história, uma referência, um porquê.
No ano passado, o grêmio fez uma retrospectiva. Meu nome foi citado. Minha história foi contada no telão — a de um ex-estudante que hoje tem um restaurante inspirado pelo festival culinário. Estar presente, mesmo à distância, naquele momento, e saber que a Kantina faz parte da história daquele festival, foi uma das coisas mais bonitas que já senti.
A experiência completa que você vive aqui começou lá.